Piracicaba fora da rota de mutirão contra a febre amarela

Tudo isso apesar da grande procura pela vacina contra a doença

Por Marília Ariente 17/01/2018 - 14:36 hs
Foto: Del Rodrigues
Piracicaba fora da rota de mutirão contra a febre amarela
Unidades de Saúde ficaram lotadas nesta terça-feira (16)

Piracicaba não está na lista dos municípios paulistas considerados áreas de risco em relação à febre amarela. A população, portanto, somente deve procurar a vacina em casos específicos (viagens ao Exterior ou a regiões com risco de transmissão da doença). A orientação é tanto da Secretaria Municipal de Saúde quanto da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Nesta terça-feira (16), porém, as 21 unidades de Saúde do município, que oferecem a vacina, registraram “demanda alta”, confirmou a pasta municipal. Cerca de 40 pessoas se amontoaram na Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada no Centro da cidade, por volta das 10 horas, para tomar a vacina contra a febre amarela. A confusão era grande e a pequena sala de espera estava abarrotada.

Pessoas aguardavam insatisfeitas - reclamando sobre a demora, a desorganização e a falta de informações - enquanto funcionários da unidade rebolavam para dar explicações à população.

“Mas Piracicaba está fora da área preconizada pelo Estado como área de vacinação obrigatória. Portanto, não há necessidade de correria aos postos para imunização, exceto para pessoas que irão para áreas de risco, incluindo algumas cidades do Litoral Paulista como Santos, Praia Grande, Guarujá, Peruíbe, Ubatuba, Caraguatatuba e Ilhabela, entre outras”, declarou Pedro Mello, o secretário municipal de Saúde.

Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo, órgão da pasta estadual, explica que “Piracicaba não integra a área de recomendação de risco porque não existe a circulação do vírus nesta região”. Segundo a diretora do CVE, um total de 522 cidades (entre os 645 municípios paulistas) são consideradas “áreas de recomendação provisória da vacina” e Piracicaba não consta nesta relação.

“Estamos falando da febre amarela silvestre. Então, porque Piracicaba possui uma grande área de plantação de cana e apenas 2% de área rural silvestre, isto significa dizer que é um município que tem características que não favorecem nem o surgimento do vetor (os mosquitos Haemagogus e o Sabethes) e nem o surgimento do hospedeiro da febre amarela (principalmente o macaco bugio)”, esclarece Regiane.

O secretário municipal de Saúde frisa que Piracicaba “não registrou nenhuma morte de macaco (os sentinelas) por conta da doença e nenhum caso em humanos foi confirmado nem em 2017 nem em 2018”.

“A vacina contra a febre amarela é indicada para quem mora na zona rural, para quem vai com frequência a essa área e para quem viaja para áreas endêmicas. Lembro que toda a população da zona rural de Piracicaba já foi imunizada em mutirão, em 2017. Os pacientes com viagem internacional, a depender do País de destino, também deverão ser vacinados”, observa Mello.

Anúncio oficial

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que a campanha de vacinação nas 54 “cidades prioritárias” começará no dia 29 de janeiro e prosseguirá até 17 de fevereiro. O mutirão vai imunizar cerca de 6,3 milhões de pessoas. “Estamos antecipando uma semana, então ao invés de começar no dia 3 de fevereiro começará no dia 29 de janeiro, especialmente naquelas regiões que tiveram casos de febre amarela”, disse Alckmin.

Além da cobertura vacinal nos 54 municípios, Alckmin informou que o Ministério da Saúde enviará a São Paulo mais um lote com um milhão de doses, sendo que as primeiras 500 mil doses chegariam ainda nesta terça-feira. “É importante não ter pânico e correria. Toda a população deverá ser vacinada até o fim do ano”, afirmou o governador.

“Nós não temos, graças a Deus, nenhum caso de febre amarela urbana desde 1942”, salientou Alckmin. Apesar disso, nesta terça-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um alerta considerando o Estado de São Paulo como área de risco de contágio da febre amarela, recomendando que todos os estrangeiros com destino ao Estado sejam imunizados.

“Considerando o nível elevado da atividade do vírus da febre amarela observado em todo o Estado de São Paulo, a OMS determinou que, além de áreas listadas em avaliações anteriores, o Estado de São Paulo inteiro deve ser também considerado como risco de transmissão de febre amarela”, comunicou a entidade, em nota.

"Consequentemente, a vacinação contra a febre amarela é recomendada para viajantes internacionais visitando quando área no estado de São Paulo", disse o órgão.

Mortes

A Secretaria de Estado da Saúde confirma que subiu para 21 o número de mortes causadas por febre amarela no Estado desde janeiro de 2017. Deste número de óbitos, 11 foram registrados nos primeiros 12 dias de 2018. 

Segundo a pasta estadual, somente em 2017 foram vacinadas sete milhões de pessoas no Estado, o que representa praticamente o dobro do número de imunizados ao longo dos 10 anos anteriores.

Posto de Saúde

Neste início de ano, a procura pela vacina contra a febre amarela em Piracicaba disparou. A título de comparação, informa a Secretaria Municipal de Saúde, em outubro de 2017 foram aplicadas 584 doses da vacina na cidade, enquanto que somente na primeira quinzena deste ano já foram imunizadas 1.735 pessoas. O secretário municipal, porém, destaca que “Piracicaba conta com vacinas suficientes para atender a demanda do município”.

 

 

Fonte: Gazeta de Piracicaba